segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

De Fevereiro...

 O jardim em Fevereiro 2016
Helleborus "pretty  Ellen"

 Helleborus x hybridus no Botânico da Ajuda 2016

Leucojum aestivum no meu jardim 2016
 Vista do jardim em Fevereiro de 2016


As fotos são todas do ano passado, mas ilustram bem o que pode ser Fevereiro num jardim em Portugal. Se a geada não foi forte, ou se se vive num sitio sem geadas, podemos já começar a apreciar as renovadas texturas vegetais à medida que as plantas iniciam o seu novo ciclo vegetativo. Se por outro lado, as geadas fizeram estragos. com ajuda das chuvas, daqui a poucas semanas podemos ter o jardim em força e totalmente renovado.

Nesta altura, os primeiros Narcissus, Crocus e Leucojum começam a florir. Dependendo dos anos, Fevereiro marca de certa forma o início da época dos bolbos de Primavera. Falemos, por exemplo, do Leucojum aestivum, um pequeno bolbo da mesma família do narciso, que é nativo da Europa Central ao Médio Oriente. Devem ser tratados basicamente como os Narcissus, qualquer solo com boa drenagem e relativamente rico serve para o cultivo destas plantas. São fáceis de manter e aumentam de numero rapidamente com o tempo. Os meus vieram do Algarve, oferecidos por uma amigo blogger e desde então já formam um maciço apreciável e com várias hastes florais, segundo os últimos relatos que me chegaram.  

Os Helleborus haviam já iniciado no mês anterior mas, é em Fevereiro que se encontram em plena Floração. Nas fotos estão dois belos exemplares de Helleborus, ilustrando bem o quanto podem fazer num jardim de Primavera. Alguns cultivares são mais floríferos do que outros, o das fotos, que está no jardim botânicos da Ajuda, é dos que conheço, aquele que apresenta as melhores florações. O período de floração é bastante longo e a planta mantêm um certo interesse durante pelo menos mais um mês, já que as sépalas são retidas pela haste floral mesmo depois da semente estar formada. Este facto reveste-se de uma certa importância na biologia do Helleborus, estudos indicam que a persistência das sépalas é importante  no desenvolvimento da semente. Os Helleborus que existem na Ajuda são particularmente prolíferos nesta matéria, produzindo muita semente fértil e pelo Outono é possível verificar a existência de centenas de pequenas plantulas na base da planta mãe. 
  
http://www.amjbot.org/content/92/9/1486

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Inverno em Kew

Helleborus tibatanus
Silla maderensis, Narcissus cantabricus / Narcissus romiuxii / Narcissus cantabricus
Casa das alpinas e o Jardim Rochoso / Galanthus plicatus "Three Ships"
Galanthus elwesii var. monostictus
Galanthus no jardim rochoso
Chimonathus praecox / Edgeworthia chrysantha

No fim de semana passado fui de novo até Kew Gardens e não pode deixar de reparar o quanto as coisas estão atrasadas em relação ao ano passado. Há exactamente um ano atrás (aqui), eu vim pela primeira vez a Inglaterra e a visita a Kew foi um dos pontos altos da viagem, mas nessa altura encontrei um jardim muito mais avançado nas florações de Inverno. Este ano as coisas parecem estar a decorrer a um ritmo normal para a época e como seria de esperar poucas plantas estavam em for. O gelo das ultimas semanas tem sido muito e, ao contrario do ano anterior, encontrei o próprio lago em frente à Casa das Palmeiras completamente congelado.

Na zona do jardim rochoso, tínhamos desta vez praticamente só Galanthus em floração, as famosas "swnowdops", ou "gota-de-neve". São plantas da família Amaryllidaceae que se encontram espalhadas um pouco por toda a Europa Central e Balcãs, tendo-se naturalizado nas Ilhas Britânicas, onde atingiram uma espécie de estatuto de estrela: é quase obrigatório vermos Galanthus num jardim inglês durante os meses de Inverno. São eles sempre o primeiros bolbos a florir recebendo todas as atenções durante mais de um mês. Acabada a floração está na hora de propagar, já que é nesta altura que se levantam os conjuntos de bolbos, se dividem "in the green" e se voltam a plantar na terra sem os deixar secar. Uma razão apontada para o pouco sucesso em Portugal será a baixa qualidade dos bolbos que chegam ao nosso mercado e a secura a que ficam expostos durante o longo Verão, levando à morte dos mesmos por dessecação.  

Um outra planta na qual é impossível deixar de reparar é na Chimonanthus praecox, um magnífico arbusto nesta altura do ano, com delicadas flores translucidas, pendentes e que exalam um perfume único durante o Inverno. É originário da China, e encontra-se em cultivo no Reino Unido desde 1766, mas a primeira descrição desta planta foi feita por um português, Álvaro Semedo, à qual chamou "flor do 12º mês". Aqui dá-se um nome mais apropriado para a língua de camões. Não parece ter grandes exigências em relação ao solo onde cresce, mas um bom solo e com boa drenagem será sempre preferível. Leva algum tempo até florir, uns bons 7 anos por vezes, e não aprecia podas muito drásticas, sobretudo enquanto a planta for jovem. 

Por ultimo destaco a belíssima Edgeworthia chrysantha, planta também de origens orientais, do Nepal ao Japão, e que chega aos jardins do ocidente apenas no século XIX. É exigente quanto ao seu cultivo, necessitando de um solo rico em húmus e matéria orgânica, fresco mas, com boa drenagem. Prefere um local abrigado, com alguma sombra, e não gosta de secar totalmente no verão. A pesar de difícil, as suas flores de perfume intenso em pleno Inverno e o seu habito peculiar, fazem valer a pena o esforço de tentar o cultivo em jardim.  


O lago perto de Victoria Gate e a Casa das Palmeiras

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Plant of the Year Award 2016

Echinops ritro, Achillea filipebdulina, Miscanthus e Phlomis tuberosa
Echinops ritro com outras vivazes no Verão
Echinops ritro com Scabiosa atropurpurea
Decidi dar o prémio para a planta do ano no meu jardim durante 2016. Esta não foi uma escolha difícil, a escolha recaiu sobre uma das minhas melhores aquisições dos últimos anos a Echinops ritro. É uma planta na qual uma boa parte dos meus esquemas assentam e na qual confio para manter o interesse, mesmo para alem dos meses tradicionais de floração. Ela continua em flor bem depois do Verão, prolongando-se mesmo até às primeiras geadas. Ainda há 2 semanas atrás tinha Echinops em flor no jardim. 

As Echinops ritro no meu jardim não são plantas exigentes. Não requerem muitas regas e não exigem solo especialmente rico. Pelo contrario, elas estão quase todas nas zonas mais expostas do meu jardim e no Verão não se parecem importar nada com a secura. Na verdade, parece florir melhor em solos relativamente pobres e com rega apenas ocasional. Gostam de ter uma boa drenagem, não suportam solos demasiado densos.  

É fácil começar as Echinops no jardim, aconselho a fazê-lo  por divisão da raiz da planta mãe. É a maneira mais fácil de ter uma planta a dar flor em menos de um ano. 

Para quem gosta dos azuis metálicos, e para quem gosta de dar um ar naturalista ao jardim num clima como o de Portugal, a Echinops ritro e os seus cultivares são sempre plantas a considerar, dada a facilidade com que se adaptam e beleza das suas flores.   

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O jardim dorme...

Canteiros centrais
Echinops com geada / Iris unguicularis / Helleborus nige
Helleborus x hybridus / Stachys com formação de gelo  / Viola odorata / Helleborus 
Janeiro no meu jardim é quase sempre o mês mais frio. As temperaturas durante a noite descem até graus negativos e o solo prolonga o frio durante o dia, mantendo as raízes a baixas temperaturas, apesar dos valores amenos verificados à luz do dia. Mas está tudo certo assim, as plantas devem fazer a sua pausa invernal, antes de um novo ciclo vegetativo se iniciar. É assim que deve ser, por isso a geada é bem-vinda para a maioria das plantas que tenho.

Neste princípio de ano, são os Helleborus os primeiros a florir e começam agora a despertar. Um deles em particular levou 3 anos até aparecer a primeira haste floral. Foi uma pequena plantula que eu trouxe do jardim botânico da Ajuda e que, aparentemente, reteve alguma da coloração interessante da planta mãe. Quando se reproduz um Helleborus por semente há sempre uma elevada probabilidade de obtermos plantas com flores mais simples e algo desinteressantes. 

Quem aproveita esta altura do ano para florir é a Iris unguicularis, mas só enquanto não há chuva. Não se importa de todo com o frio, mas se começa a chover as frágeis flores são facilmente danificadas. Esta Iris é uma daquelas plantas que aconselho a todos experimentarem, não só pela sua flor e elegância suave das folhas, mas sobretudo por ser uma das poucas Iris a florir nos meses mais frios. 

Entretanto, a maioria das outras vivazes dorme ainda...aguardemos pelo início da Primavera. 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Final de Ano no Jardim









Pennisetum, Euphorbia e Echinops. Ao final da manhã o gelo derrete...
Têm sido dias de muita geada. Manhãs que proporcionam imagens sempre bonitas, que nos lembram que o Inverno acabou por chegar a Portugal e que o final do ano está aqui. Manhãs geladas, em que as temperaturas chegaram aos -3 graus, mas que durante o dia atingem os 10ºC -12ºC de máximas. O Jardim entra assim no seu ciclo de dormência normal de Inverno, o solo na verdade encontra-se muito frio e isso concretiza a dormência invernal.  

Desejo a todos um feliz Ano Novo de 2017!
Happy New Year to all!